MUSEU DE ARTE DO RIO RECEBE ‘PARDO É PAPEL’, EXPOSIÇÃO DE MAXWELL ALEXANDRE QUE OCUPOU O MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE LYON

Evento de abertura também conta com performance dos rappers BK’ e Baco Exu do Blues

O Museu de Arte do Rio – MAR, sob a gestão do Instituto Odeon, inaugura na próxima terça-feira, dia 26, às 10h, “Pardo é Papel”, individual do jovem artista carioca Maxwell Alexandre. A exposição reafirma a vocação que o MAR conquistou em seis anos de existência: enfrentar o espelho, se reconhecer, escutar, afirmar o que interessa e prosseguir. Essas são tarefas para um museu que se coloca em diálogo com a cidade e sua vizinhança.  O evento de abertura terá entrada gratuita e contará ainda com performance musical dos rappers BK’ e Baco Exu do Blues nos pilotis, às 20h.

Aos 29 anos, Maxwell Alexandre retrata em sua obra uma poética urbana que passa pela construção de narrativas e cenas estruturadas a partir de sua vivência cotidiana pela cidade e na Rocinha, onde nasceu, trabalha e reside. Com obras no acervo do MAR, Pinacoteca de São Paulo, MASP, MAM-RJ e Perez Museum, Maxwell apresenta “Pardo é Papel” no Brasil após levar sua primeira exposição individual ao Museu de Arte Contemporânea de Lyon, na França. Resultado de uma residência do artista na Delfina Foundation, em Londres, a mostra é promovida pelo Instituto Inclusartiz, de Frances Reynolds, e tem patrocínio da PetraGold.

O início de ‘Pardo é Papel’ remete a maio de 2017, quando o artista pintou alguns autorretratos em folhas de papel pardo perdidas no ateliê. Nesse processo, além da sedução estética potente, ele percebeu o ato político e conceitual que está articulando ao pintar corpos negros sobre papel pardo, uma vez que a “cor” parda foi usada durante muito tempo para velar a negritude. “O desígnio pardo encontrado nas certidões de nascimento, em currículos e carteiras de identidades de negros do passado, foi necessário para o processo de redenção, em outras palavras, de clareamento da nossa raça. Porém, nos dias de hoje, com a internet, os debates e tomada de consciência e reivindicações das minorias, os negros passaram a exercer sua voz, a se entender e se orgulhar como negro, assumindo seu nariz, seu cabelo, e construindo sua autoestima por enaltecimento do que é, de si mesmo. Este fenômeno é tão forte e relevante, que o conceito de pardo hoje ganhou uma sonoridade pejorativa dentro dos coletivos negros. Dizer a um negro que ele é moreno ou pardo pode ser um grande problema, afinal, Pardo é Papel”, ressalta Maxwell.

“Tenho o enorme prazer e orgulho de apresentar este jovem talento. Maxwell é um líder natural, tem grande capacidade de atrair jovens de outras linguagens, conseguindo aglutinar as forças e todas as novas experiências dos jovens que são o futuro do Brasil. A belíssima obra de Maxwell marca uma sensibilidade da realidade social do Rio de Janeiro”, analisa Frances Reynolds, presidente e fundadora do Instituto Inclusartiz, que busca trazer um diálogo entre todos os segmentos da sociedade e os artistas, especialmente os jovens, fomentando a sua carreira e os apoiando estrategicamente no âmbito internacional.

Para Marcelo Campos, curador associado do MAR, o museu, ao o trazer essa itinerância, ratifica os modos, sensações e lugares com os quais interessa dialogar: a escola, a diversão, o museu, a laje, a sala familiar, a rua, a igreja. “Tudo isso se apresenta nas pinturas do artista. O museu, então, se repensa como signo de distinção, e nele a inclusão passa a ser meta. Lugar historicamente de ostentação de bens, o museu que nos interessa continuar deve reverter a periferização, transformando-a em autoestima”, afirma Marcelo.

 

PARDO É PAPEL

De 26 de novembro de 2019 a março de 2020

Visitação de terça a domingo, de 10h às 18h (entrada até 17h).

Ingressos: R$ 20 (inteira e ingresso família aos domingos) e R$ 10 (meia entrada)

Entrada gratuita às terças-feiras.

 

As pulseiras que darão acesso às performances de BK’ e Baco Exu do Blues deverão ser retiradas com antecedência na bilheteria do museu, neste fim de semana (dias 22, 23 e 24 de novembro), entre 9h30 e 17h.

 

O Museu de Arte do Rio – MAR

Uma iniciativa da Prefeitura do Rio em parceria com a Fundação Roberto Marinho, o MAR tem atividades que envolvem coleta, registro, pesquisa, preservação e devolução à comunidade de bens culturais. Espaço proativo de apoio à educação e à cultura, o museu já nasceu com uma escola – a Escola do Olhar –, cuja proposta museológica é inovadora: propiciar o desenvolvimento de um programa educativo de referência para ações no Brasil e no exterior, conjugando arte e educação a partir do programa curatorial que norteia a instituição.

O MAR é gerido pelo Instituto Odeon, uma organização social da Cultura. O museu tem o Grupo Globo como mantenedor, a Equinor como patrocinadora master, a Bradesco Seguros como patrocinadora, o BNDES como apoiador financeiro e a Rede D’Or São Luiz como apoiadora de exposições e o Itaú como apoiador por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

 

A Escola do Olhar conta com patrocínio da Prefeitura do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, Dataprev, TNA, Grupo In Press e BNY Mellon, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Lei do ISS e do Machado Meyer Advogados via Lei Federal de Incentivo à Cultura. O MAR conta também com o apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro e realização do Ministério da Cidadaniae do Governo Federal do Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

 

Instituto Inclusartiz | Fundação Arte Viva

Criado no Rio de Janeiro, em 1997, por Frances Reynolds, o Instituto Inclusartiz – que até 2005 chamava-se Fundação Arte Viva – é uma iniciativa de fomento à arte, cultura e educação no Brasil e no mundo. Idealizada com o propósito de tornar a arte mais acessível a todos, a organização desenvolve exposições e projetos educacionais com o intuito de promover vínculos socioculturais e a troca de conhecimento. Em 2000, após diversas iniciativas de sucesso em seu país de origem, o instituto ampliou suas fronteiras para Buenos Aires e, dois anos depois, expandiu para Madri, com uma série de mostras, sempre acompanhadas de programas educativos. A partir de 2005, a sede brasileira do Instituto Inclusartiz acrescentou às suas atividades o programa internacional de residências artísticas, que recebe artistas, escritores, intelectuais e curadores internacionais, ao longo de temporadas no Rio de Janeiro, para a realização de estudos e pesquisas, além da produção de novos trabalhos.