DJAVAN ENTRA NA RETA FINAL DA TURNÊ NACIONAL DE SEU DISCO MAIS RECENTE

 

Aclamado espetáculo, que já passou por mais de 40 cidades do Brasil e do exterior, traz canções do elogiado “Vidas pra contar”, vigésimo terceiro álbum da carreira do artista, além de sucessos de sua discografia

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Um dos mais prolíficos compositores da música popular brasileira, Djavan dá prosseguimento à turnê de “Vidas pra contar”, vigésimo terceiro álbum de sua discografia, que desde o início de 2016 já percorreu mais de 40 cidades do Brasil e do exterior, com passagens por Santiago, Buenos Aires, Lisboa, Porto e Estoril.  Além de canções do novo disco, o repertório do espetáculo traz também sucessos do artista alagoano, que conquistou o quarto Grammy Latino de sua trajetória, no ano passado, na categoria melhor canção em português, com a música que dá título ao último trabalho e ao show. Na edição anterior da premiação, quando completou 40 anos de carreira, Djavan foi contemplado com o troféu na categoria Excelência Musical, pelo conjunto de sua obra.

Entre as canções confirmadas no roteiro estão “Não é um Bolero” e “Encontrar-te”, do último álbum, e as clássicas “Oceano”, “Outono”, “Boa Noite”, “Eu te Devoro”. A última etapa da turnê, que se encerra em julho deste ano, vai passar ainda por Salvador, Feira de Santana, Belém e Sorocaba.

Acompanhado por Carlos Bala (bateria), Jessé Sadoc (flügelhorn, trompete e vocal), Marcelo Mariano (baixo e vocal), Marcelo Martins (flauta, saxofone e vocal), Paulo Calasans (teclados e piano) e João Castilho (guitarras, violões e vocal), o artista é quem assina a direção do espetáculo, que tem iluminação de Binho Schaefer e figurino de Roberta Stamato.

“Existe entre nós, eu e os músicos, um código musical que permite voos para todas as direções, e isto é uma coisa que me ajuda muito, uma vez que persigo sempre a diversidade. Eu acho que a diversidade me impõe a estar sempre correndo riscos, e eu preciso disso”, conta o músico.

O cenário da turnê, concebido por Suzane Queiroz, foi desenhado a partir do conceito de que a vida de cada pessoa é um grande livro em branco que vai sendo preenchido linha por linha, página por página a cada alegria, a cada tristeza, a cada conquista, a cada novo amor que chega e que parte, ao longo do tempo.

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Texto de Hugo Sukman sobre o álbum “Vidas pra contar”

Pode-se começar a audição de “Vidas pra contar” pulando a primeira faixa, assim, apenas como um exercício de análise. E vai-se encontrar um Djavan exercitando no limite o seu estilo consagrado. “Só pra ser o sol” é uma daquelas canções matadoras, de tocar no rádio a vida inteira (e sempre soando nova), de grudar no ouvido. Calcada na linha de baixo de Marcelo Mariano e com desenhos inusitados do naipe de sopros tocado por Jessé Sadoc (trompete) e Marcelo Martins (sax tenor), a canção logo conquista pela fluência melódica dentro de uma estrutura harmônica surpreendente, cheia de modulações. E pela letra, a poética de Djavan burilada como só ele faz, o uso de gírias (“uhu”) em meio a imagens inusitadas (como a da moça revirando o armário): “Uhu, você disse que vinha e veio/Não acreditei/E cheguei a tremer/Pensei em você virando armário/Pra chegar em mim/Que bom! Te ver/Tão linda e desejada”.

Agora pense na última vez que ouviu uma canção pop tão bem feita no sentido técnico, tão fácil de ouvir e mesmo assim tão diferente de tudo, como essa descrição do espanto do homem diante da beleza da mulher por quem está apaixonado.

Mas pode-se começar a audição, num outro exercício de análise, como deve ser, pela primeira faixa. E aí vai-se encontrar um Djavan diferente do esperado, exercitando-se num outro estilo, só na aparência menos pessoal. O xote “Vida nordestina” traz o compositor dialogando com uma das suas influências mais importantes embora das menos explícitas, Luiz Gonzaga. E a música tem a simplicidade de Gonzaga, com aquele tipo de melodia que parece ter sempre existido mas que foi criada solidamente por um compositor. “Vida nordestina” nasce assim, clássica, e com uma letra que Humberto Teixeira, sei não, até assinaria, sobretudo no paradoxo que propõe ao afirmar logo nos primeiros versos, “A vida não é de festa/Para o povo do sertão” e, alguns versos abaixo, poeticamente negar a própria afirmação: “Mas quando é dia de festa/Todo povo do sertão/Dança para aparar as arestas/Do coração/As moças já tão bonitas/Ficam lindas como quê/E o homem nem acredita/No que vê”.

Agora pense na última vez que ouviu uma canção nordestina tão típica e ao mesmo tempo estranhamente original. Como aliás é a vida no sertão ou qualquer vida, original e sempre a mesma. Ou, como na letra de “Vida nordestina”: “Até o lar onde falta o pão/Tem lá seus dias de alegria”.

“Vidas pra contar”, vigésimo terceiro disco de Djavan, conta vidas assim, reais mas sob o filtro da poesia, do espanto pelo detalhe. E revela um compositor tão maduro que consegue ser pessoal seja exercitando seu estilo consagrado, como em “Só pra ser o sol”, seja experimentando outras linguagens, como em “Vidas pra contar”.

Tal maturidade leva Djavan a exercer seu estilo tão marcante em gêneros diversos de música popular – lembrando que sua primeira educação musical foi, ainda menino em Maceió, na eclética coleção de discos do pai de um amigo de colégio e nos programas de auditório não menos ecléticos da Rádio Nacional, que ouvia com a mãe. Aliás, a canção autobiográfica “Dona do horizonte” narra exatamente essa relação de Djavan com a música a partir da influência da mãe que o fez ouvir Orlando Silva, “Dalva de Oliveira e Angela Maria/Todo dia…”.

No passeio por estilos da música popular, “Ânsia de viver” é um samba sincopado típico de Djavan, que nos lembra ser ele autor de clássicos do gênero (“Flor-de-lis”, “Fato consumado”, etc.). “Não é um bolero” é um bolero estilizado na música e um bolero típico na letra que lamenta a ausência de amor: “Não é um bolero/É amor sincero/Que a tudo resiste/Não a ter ao lado/Me deixa abalado/E nada é mais triste/A vida é à toa/Não fica de boa/Quem não tem um querer”. “Se não vira jazz” dialoga com o próprio jazz no peso da introdução instrumental, na forma livre de cantar (com direito a leves improvisos) e na complexidade harmônica, para uma letra que é o oposto do bolero, uma celebração do reencontro e do amor de verdade: “Viver é bom demais/Quando o amor está incluso/É um abuso de perfeição”. Já “Vidas pra contar” é uma, ainda que originalíssima, canção de influência ibérica, com toques flamencos, lembrando essa importante herança deixada para a música brasileira, especialmente no Nordeste.

Se “O tal do amor” dialoga com as valsas francesas, e é leve na música para embalar uma letra levíssima (“Sorrir para mim/É quase um jardim/Onde pássaros voam”), “Encontrar-te” é uma daquelas densas baladas de amor com vocação para standard (senão ouçam a introdução do trompete de Jessé Sadoc, emulando as grandes canções de amor de Gershwin ou Jobim), enquanto “Primazia” situa-se num meio terno, é uma canção de amor, quase um fox-trot, leve como a valsa e densa como a balada. Juntas, as três canções formam uma curiosa trilogia que revela, ao cabo, a habilidade de Djavan em falar de amor nas diversas formas de canção, sendo sempre fiel ao seu estilo.

Outras duas canções de “Vidas pra contar” podem ser agrupadas num outro possível conjunto, um díptico em que o diálogo não se dá propriamente com gêneros tradicionais da música popular, mas com o próprio estilo de Djavan. “Aridez” é daquelas canções que prescindem de assinatura, na música acelerada, exuberante, inclassificável e na letra com aquela forma tão própria de Djavan em falar de amor: “Atravesso o deserto escuro/Pra fugir da solidão/Você que é meu farol/Não deixe eu me perder, não/É você quem há de me tirar/Dessa tremenda aridez”. De sabor jazzístico, “Enguiçado” é uma observação crítica sobre o comportamento humano: “Tanto nego errado/Enguiçado/Dado a viver/Com a coisa errada/Inclinado a tudo ceder/Se bem combinado/Em qualquer lado pode estar”.

A atordoante diversidade musical, que confirma a potencialidade criativa de Djavan, é transformada em linguagem musical pela banda que o acompanha e pelos arranjos do próprio compositor. Pode-se dizer que “Vidas pra contar” é um disco de Djavan e banda, o núcleo rítmico composto por piano (e teclados) de Paulo Calasans, baixo de Marcelo Mariano e bateria de Carlos Bala, além de violões e guitarras de João Castilho e do próprio Djavan e sopros de Jessé Sadoc e Marcelo Martins.  Cantor, compositor, letrista, guitarrista e arranjador em todas as faixas, Djavan tem nessa banda de virtuoses a sua voz musical: uma voz que ao mesmo tempo esbanja estilo e por outro conversa com toda a tradição da música popular em que sua mãe o introduziu  ainda na infância. Com cuidado e carinho de quem canta para a própria mãe (como confessa em “Dona do horizonte”: “Cantava ali só para ela ouvir”) é assim que Djavan parece cantar neste “Vidas pra contar”.

Lançamento: Luanda Records/Sony Music

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PROGRAMAÇÃO TURNÊ VIDAS PRA CONTAR

  19/05 – Maceió – AL

Acrópole 

20/05 – Recife – PE

Classic Hall

26/05 – Salvador – BA

Concha Acústica / TC

27/05 – Feira de Santana – BA

Ária Hall

09/06 – Belém – PA

Hangar

23/06 – Sorocaba – SP

Clube Recreativo

01/07Rio de Janeiro – RJ

Fundição Progresso (Encerramento da turnê)

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