Deserto

 

Com uma trajetória bem-sucedida no teatro, cinema e televisão, o ator Guilherme Weber estreia como diretor de filmes com uma adaptação livre do romance “Santa Maria do Circo”, do mexicano David Toscana, originalmente publicado em 1998. O roteiro, desenvolvido pelo próprio weber em colaboração com a escritora Ana Paula Maia, reconfigura o livro: transpõe a ação dos desertos do México para o sertão brasileiro e transforma o circo mambembe numa trupe itinerante de velhos comediantes.

Filmado no sertão da Paraíba, num vilarejo próximo ao município de Patos, o enredo acompanha oito personagens errantes que se deparam com uma cidade abandonada. Após alguns desentendimentos, cansados e combalidos, eles decidem se instalar em definitivo no local, fundando uma nova comunidade na qual cada um se dispõe a interpretar determinados arquétipos do que acreditam ser necessário à fundação de uma sociedade. A tensão se dá quando a violência irrompe entre eles, reproduzindo sentimentos mesquinhos introjetados no indivíduo em séculos de História. “Deserto” é assim, uma alegoria do mundo e da condição humana.

A equipe técnica e os atores de “Deserto” filmaram ao longo de 24 dias, entre janeiro e março de 2014, enfrentando uma locação isolada, no meio do sertão escaldante. Guilherme Weber e o fotógrafo Rui Poças se inspiraram em pinturas clássicas para a composição de determinados enquadramentos, aproveitando a arquitetura do lugar e a beleza inóspita da região. Os figurinos de Kika Lopes e a direção de arte de Renata Pinheiro se harmonizaram no intuito de construírem um espaço que parecesse arquetípico, universal e profundamente brasileiro ao mesmo tempo. Um misto do realismo mágico típico de uma parte significativa da cultura latino-americana com a tradição iconográfica e visual do cinema brasileiro ambientado no sertão e na seca compõe um pequeno épico de figuras anônimas que, por algum tempo, atingem a ascese para depois desabarem rumo ao inferno. “Deserto” se faz nas contradições: desejo e repulsa, violência e ternura, sanidade e loucura, coletivo e particular, ficção e realidade. Porque assim é a constituição do ser humano, que o filme toca através de um conto de fadas às avessas.

Sinopse:

Um pequeno grupo de artistas viaja pelo sertão brasileiro apresentando um espetáculo. Ao chegar num pequeno vilarejo, descobrem uma cidade abandonada, casas, igreja e uma fonte que jorra água limpa, tal qual milagre de um deserto bíblico. Cansados e combalidos da vida errante, os artistas decidem se instalar no vilarejo e fundar uma nova comunidade, dando a si mesmos papéis diferentes daqueles que exerceram por toda a vida. Esta nova configuração, entretanto, vai revelar a estes artistas os piores vícios da vida civil.

Ficha técnica:

Direção: Guilherme weber

Produtora: Vania Catani

Roteiro: Guilherme Weber e Ana Paula Maia

1ª Assistente de direção: Kity Féo

Produtora Executiva: Lili Nogueira

Diretor de Produção: Henrique Castelo Branco

Diretor de Fotografia: Rui Poças

Diretora de arte: Renata Pinheiro

Figurinista: Kika Lopes

Caracterização: Marlene Moura

Montagem: Ricardo Pretti

Produtor de finalização: Juca Díaz

Empresa Produtora: Bananeira Filmes

Coprodução: Canal Brasil, Mutuca Filmes, Para Todos Produções

Distribuição: Tucuman / Fênix Filmes

Elenco:

Lima Duarte (Dom Aleixo)

Cida Moreira (Valquíria)

Everaldo Pontes (Draco)

Márcio Rosário (Hércules)

Fernando Teixeira (Domênico)

Magali Biff (Alma)

Claudio Castro (Anão)

Pietra Pan (Narcisa)